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PT e DEM têm crise de identidade
O recente episódio da blindagem de um veículo da frota oficial do Estado da Bahia trouxe à luz a inadequação do PT regional ao papel de governo e, por outro lado, o desconforto do DEM, ex-PFL, em ser oposição. A história começa com a decisão de se usarem R$ 44 mil para blindar um carro usado por autoridades, enquanto a população sofre com uma tremenda insegurança pública. A repercussão dos gastos. publicados no Diário Oficial do Estado, provocou uma seqüência de reações ilustrativa.
A oposição reclama da iniciativa, o governador Jaques Wagner se irrita e diz que é mesquinharia política, parte da oposição se diverte com a inexperiência atribuída ao chefe do executivo, que poderia ter evitado a saraivada de críticas lançando mão de verbas secretas, e finalmemte o ex-governador Paulo Souto entra no circuito para condenar a reação de seu sucessor às críticas. Souto afirma que a postura de Wagner tende ao autoritarismo, por não aceitar questionamentos.
Com ou sem blindagem, quase dois anos depois da eleição que decretou a última derrota eleitoral de Antonio Carlos Magalhães, morto em 2007, o seu Democratas e o PT ainda não encontraram os seus discursos e ações para o pós-carlismo. Os petistas, que reclamam da herança recebida do antigo PFL ainda não propôs nada novo (e consistente) em termos de administracão do Estado. O Democratas, que se arvora a criador de todas as benfeitorias na Bahia, se diverte com os erros do governo, esperando pelo momento de retomar a cadeira que, ainda não sabe como, deixou de ser sua em 2006.
Naturalmente, o incômodo maior é com a crise de identidade de quem está no governo. A sensacão de que depois de meio mandato não há projetos, como vaticinava nos primeiros dias da administração de Wagner o então pefelista senador César Borges, que por pouco não foi ao SAC encomendar uma nova identidade, petista, mas acabou definitivamente na oposição a Wagner.
O problema, então, não é a blindagem de um veículo. Mas a noção de que, um ano e oito meses depois, o Governo Jaques Wagner ainda não tomou posse, que Paulo Souto ainda não se deu conta de que seu mandato acabou, e que os dois juntos parecem ter muito pouco a oferecer aos baianos.