No Pé do Caboclo

Comportamento e sociedade

Compras coletivas na Bahia: comerciantes não sabem vender seu peixe (urbano)

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Sites de compras coletivas são um sucesso, onde todo mundo se dá bem. O empresário faz com que o cliente conheça seu estabelecimento e tem a oportunidade de fidelizá-lo, enquanto o cliente aproveita o serviço por um preço muito abaixo do normal. Mas, levando em consideração que estamos na Bahia, claro que não funciona dessa forma. Os restaurantes restringem as opções de pratos, com porções menores do que as aceitáveis, e os garçons nos atendem como se estivessem fazendo um grande favor, num ritmo ainda pior do que aquele tradicional que os soteropolitanos já estão acostumados. O que deveria ser como uma peça de propaganda mostrando o céu, revela-se um inferno de baixo custo. Assim, a Bahia inventou uma nova modalidade de negócio: a de te fazer desistir de um lugar a preço baixo. Ao menos, se não fideliza o cliente, o faz gastar menos para descobrir aonde não ir, se bem que isso poderia ser de graça.
(Fábio Freitas)

Por sinal, um recado para a Bella Napoli pizzaria. Isso é uma pizza de Aliche: http://1.bp.blogspot.com/_AZtpOFQRcc8/Sm5dkXDbuVI/AAAAAAAAEvQ/dh2OobUTrg4/s400/Piola+Pizza+Aliche.jpg, do blog http://destemperados.blogspot.com/2009/07/piola-mojitos-e-piola.html , feita pela Piola. Talvez o objetivo fosse nos deixar com sede para consumir mais, vai saber, mas certamente não é uma Pizza Gourmet!.

Escrito por Gilson Jorge

janeiro 31, 2011 em 3:06 am

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Idosos escrotos merecem respeito?

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Eu aguardava pacientemente na fila do mercado enquanto a anciã que estava à minha frente decidia o que ia levar para a casa ou não. Era um mercadinho de bairro, desses estabelecimentos simpáticos em que os clientes são todos conhecidos da casa.
O negócio é que o mercadinho em questão fica no Corredor da Vitória, um dos bairros mais caros de Salvador e que tem uma das vizinhanças menos simpáticas do planeta. E a cliente que estava sendo atendida era uma velhinha que ainda não foi avisada que a escravidão acabou.
Ao terminar de passar as suas compras, a senhora se dirigiu a mim fazendo gestos com as duas mãos para que eu recuasse. Fiz cara de quem não entendeu, como fazem os velhinhos surdos, e ela disse que pretandia recuar o carrinho de compras e por isso pedia passagem. Embora a falta educação em Salvador seja ampla, geral e irrestrita, fiquei pensando que se ela trata assim um desconhecido, imagine como se relaciona com os empregados domésticos?
O episódio me chamou a atenção para o tratamento que se dispensa aos idosos, ou que ao menos é o esperado quando se trata de pessoas com mais de 65 anos. Se ela não tivesse cabelos brancos, seria tranquilo começar um bate boca e xingá-la da cabeças aos pés. Mas não pega bem levantar a voz contra um idoso, ainda que ele seja um fdp.
E o que dizer da prioridade irrestrita que se dá aos idosos? Estou de acordo que haja assentos reservados nos ônibus, mesmo que a linha Barra -Praça da Sé pareça uma excursão para o Abrigo São Francisco. Mas porquê um idoso deve ter preferência para jogar na loteria? Na hora de receber o prêmio, tudo bem, pois é preciso garantir que o velhinho tenha tempo suficiente para desfrutar da grana. Mas para jogar? A loteria é um gênero de primeira necessidade?
Algumas vezes a fila dos idosos fica maior do que a outra. E já escutei uma senhora reclamar do tamanho da fila preferencial sem se tocar que ela tinha a opção de encarar a outra fila e ser atendida mais rapidamente. Mas ela não queria abrir mão do seu direito ao atendimento preferencial.

Escrito por Gilson Jorge

janeiro 27, 2011 em 4:25 pm

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Aécio aposta em aproximação com PT

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Em entrevista ao Canal Livre, da Band, do dia 7 de dezembro, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves deixou claro que pretende uma aproximação entre o seu partido, o PSDB, e o PT após as eleições presidenciais de 2010. Os motivos são muitos: segundo a sua aanálise, à exceção da briga imediata pelo poder em Brasília as duas legendas têm muito em comum. Tanto que fizeram coligação em 20% dos municípios nas últimas eleições, inclusive em Belo Horizonte, onde elegeram Márcio Lacerda, do PSB.
O governador disse que não acraedita que as duas legendas fiquem eternamente em campos opostos, elogiou o Governo Lula e, sem dar nome aos bois, mencionou o incômodo pelas alianças atuais feitas pelos dois partidos.
Mas o grande empecilho para a aproximação entre os dois é a disputa política em São Paulo, estado que domina a política nacional desde 1994, quando terminou o mandato do mineiro Itamar Franco, e terra de José Serra, favorito para ser o candidato tucano em 2010.
Ao pontuar que São Paulo tem o presidente da República por 16 anos, sendo 8 de FHC e 8 de Lula, Aécio declarou também que o PSDB não agüenta mais perder eleições, referência clara ao desempenho tucano em 2002 com o paulista Serra e em 2006, com o paulista Alckmin. Mas assim como soa impossível uma aliança entre PT e PSDB para 2010, parece improvável que Aécio seja o primeiro presidente tucano a contar com o apoio petista, a partir de 2011.

Escrito por Gilson Jorge

dezembro 8, 2008 em 3:48 pm

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O Brasil já teve o seu presidente negro? Se não, ele poderá ser um cotista?

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As edições deste domingo, 23 de novembro, da Folha de S.Paulo e do Correio (da Bahia) tiveram como destaque em suas manchetes, respectivamente, a diminuição do preconceito racial  no Brasil e os bons resultados obtidos por universitários cotistas. Em um caderno especial, a Folha celebra o crescimento do número de pessoas que se autoidentificam como pretos ou pardos, em relação a 1995, quando publicou o famoso caderno Racismo Cordial. O Correio trouxe como matéria de capa estudantes que chegaram à universidade através das cotas e cujos desempenhos são melhores do que os de alunos não-cotistas. As duas publicações voltaram ao tema no primeiro domingo após o Dia da Consciência Negra,  20 de novembro, e 19 dias depois que os Estados Unidos elegeram um afrodescendente para chefiar a nação mais poderosa do mundo a partir de janeiro de 2009.

Vale a pena pinçar algumas informações ressaltadas por ambos os jornais. Apesar da pela clara de Luis Inácio Lula da Silva, o atual presidente da República foi considerado pardo por 42% dos entrevistados pelo Datafolha. Ou seja, para quase metade dos brasileiros consultados pela pesquisa, o País elegeu um presidente negro em 2003 (para o IBGE, os negros são a soma de pretos e pardos), cinco anos antes da eleição histórica de Barack Obama. Por outro lado, apenas 17% dos entrevistados pelo instituto acham que Fernando Henrique Cardoso, cujo tom de pele não difere tanto do de Lula, seja pardo.  A propósito, para a Ku Klux Klan, Obama é mestiço e não preto.

O texto que ancora os resultados do Datafolha aponta “uma espécie de daltonismo” entre os entrevistados, uma vez que as definições sobre a cor de 11 celebridades trouxeram avaliações que destoam, em alguma medida, da autodeclaração e de critérios razoáveis para a justificação da branquidade ou da negritude de certas personagens. Fonte da matéria,  O historiador Luiz Felipe de Alencastro anota que os entrevistados levam em consideração não apenas a pigmentação da pele, mas o nível intelectual e a posição que a pessoa ocupa na sociedade. Uma possível explicação para a disparidade entre os que acham Lula e FHC pardos.

***

A edição do Correio, por sua vez, enaltece os bons resultados obtidos na academia por estudantes que chegaram ao terceiro grau através do sistema de cotas. O texto mostra que em alguns casos o desempenho é melhor do que o dos não-cotistas, o que jogaria definitivamente por terra os argumentos contrários à adoção de cotas raciais. 

Apesar de registrar os progressos obtidos por negros, cotistas ou não, na universidade, o jornal ressalta que, uma vez lá, as dificuldades persistem. Algumas, relacionadas à cor da pele, como a desconfiança que ainda suscita-se sobre a capacidade profissional dos negros em certas áreas. Outras, nem tanto, como o dinheiro para se manter na universidade ao longo de qutro ou seis anos. Dificuldades que afligem estudantes com diferentes tons de pele. Jovens que, mesmo sem saber se vão conseguir concluir o curso, conseguem superar alunos da classe média.

Não é difícil acreditar no bom desempenho de cotistas. De fato, um lavador de carro que fez vestibular,  animado pelo novo sistema, classificou-se em primeiro lugar na colocação geral. Mas surge a dúvida: o que manteve jovens talentos saídos da pobreza por tanto tempo longe da universidade? Apenas a falta de fé em seu potencial ou um vestibular incapaz de avaliar os estudantes mais capacitados?  O sistema de cotas é o ideal? As cotas devem ser raciais?  As cotas vão assegurar a redução das desigualdades? Se para chegar à presidência fosse exigível o diploma de nível superior e se o metalúrgico Lula, agora classificado como pardo, teria conseguido entrar para a universidade pelo sistema de cotas?

Escrito por Gilson Jorge

novembro 24, 2008 em 2:40 am

Eloá, Nayara, Lindemberg, a mídia e a PM: como em Alpha Dog

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Uma semana depois do disparo que tirou a vida da adolescente Eloá, o mais recente crime acompanhado em tempo real pela mídia continua gerando considerações e artigos. Decidi escrever algumas linhas sobre o caso depois que um policial admitiu, em depoimento na delegacia, que talvez o rapaz não tivesse feito nenhum disparo antes que a polícia invadisse o apartamento.

A declaração, que contradiz a versão inicial de que os policiais agirem depois de ouvir tiros, aconteceu depois que Nayara saiu do hospital garantindo que não houve disparos antes da invasão. Somem-se a esse desmentido, o gesto criminosamente doentio de um rapaz que não aceita ser rejeitado, a falta de escrúpulos da mídia, o pedido de Nayara que queria receber no hospital a visita de Alexandre Pato, a intenção da família dela de pedir indenização de dois milhões de reais, as milhões de pessoas que passaram a semana garantindo audiência ao seqüestro transmitido ao vivo

O resultado é que, assim como os traficantes adolescentes de Alpha Dog, que raptaram um garoto para intimidar um cara que lhes devia dinheiro, quase ninguém que se envolveu no Caso Eloá tinha dimensão do que estava acontecendo ao seu redor. Para quem está fora desse esquema doentio, resta torcer para que uma bala não seja apontada nas nossas cabeças. E que se isso acontecer, não apareçam a mídia e pessoas em busca de recompensas materiais para os seus infortúnios.

Escrito por Gilson Jorge

outubro 24, 2008 em 2:03 am

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PT e DEM têm crise de identidade

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O recente episódio da blindagem de um veículo da frota oficial do Estado da Bahia trouxe à luz a inadequação do PT regional ao papel de governo e, por outro lado, o desconforto do DEM, ex-PFL, em ser oposição. A história começa com a decisão de se usarem R$ 44 mil para blindar um carro usado por autoridades, enquanto a população sofre com uma tremenda insegurança pública. A repercussão dos gastos. publicados no Diário Oficial do Estado, provocou uma seqüência de reações ilustrativa.

A oposição reclama da iniciativa, o governador Jaques Wagner se irrita e diz que é mesquinharia política, parte da oposição se diverte com a inexperiência atribuída ao chefe do executivo, que poderia ter evitado a saraivada de críticas lançando mão de verbas secretas, e finalmemte o ex-governador Paulo Souto entra no circuito para condenar a reação de seu sucessor às críticas. Souto afirma que a postura de Wagner tende ao autoritarismo, por não aceitar questionamentos.

Com ou sem blindagem, quase dois anos depois da eleição que decretou a última derrota eleitoral de Antonio Carlos Magalhães, morto em 2007, o seu Democratas e o PT ainda não encontraram os seus discursos e ações para o pós-carlismo. Os petistas, que reclamam da herança recebida do antigo PFL ainda não propôs nada novo (e consistente) em termos de administracão do Estado. O Democratas, que se arvora a criador de todas as benfeitorias na Bahia, se diverte com os erros do governo, esperando pelo momento de retomar a cadeira que, ainda não sabe como, deixou de ser sua em 2006.

Naturalmente, o incômodo maior é com a crise de identidade de quem está no governo. A sensacão de que depois de meio mandato não há projetos, como vaticinava nos primeiros dias da administração de Wagner o então pefelista senador César Borges, que por pouco não foi ao SAC encomendar uma nova identidade, petista, mas acabou definitivamente na oposição a Wagner.

O problema, então, não é a blindagem de um veículo. Mas a noção de que, um ano e oito meses depois, o Governo Jaques Wagner ainda não tomou posse, que Paulo Souto ainda não se deu conta de que seu mandato acabou, e que os dois juntos parecem ter muito pouco a oferecer aos baianos.

Escrito por Gilson Jorge

agosto 12, 2008 em 12:25 am

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Salvador, 15 de julho de 2008, 18h50, o Governo da Bahia finalmente se manifesta sobre escolha da Toyota pelo Estado de São Paulo…

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Nota Pública

Ao receber o comunicado formal da direção da Toyota do Brasil, o Governo da Bahia manifesta o seu respeito pela decisão de implantação da segunda unidade da montadora no município de Sorocaba, São Paulo, a 20 quilômetros da unidade já em operação, e deseja pleno êxito à empresa.

Ao longo de mais de um ano de trabalho, a equipe técnica do Governo elaborou, com extremado profissionalismo, uma proposta atraente o bastante para manter a Bahia na disputa com São Paulo, depois de descartadas as propostas dos demais estados interessados. O mesmo esforço que tem logrado êxito em outros segmentos está e continuará sendo empreendido para manter e acelerar o desenvolvimento econômico da Bahia, gerando desenvolvimento com inclusão e criação de oportunidades para todos os baianos e baianas.

Governo da Bahia
Terra de Todos Nós

P.s. é um visionário…

Escrito por Gilson Jorge

julho 15, 2008 em 10:18 pm

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O Bahia de Todos Nós?

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Será que o Governo do Estado deveria mesmo estar tão empenhado em conseguir um estádio para o Bahia jogar? A ponto de reformar Pituaçu às pressas e interceder junto ao Vitória para que o Barradão seja emprestado ao tricolor? Será que Jaques Wagner não tem preocupações relevantes que lhe ocupem a agenda? Talvez o governo esteja sendo muito modesto em termos de publicidade, mas não consigo lembrar de uma obra importante que tenha sido planejada pela atual administração do Estado e que já esteja em execução, a não ser a reforma de um estádio de futebol. Talvez seja injustiça, mas ainda não dá para enxergar porque o presidente da Nestlé se referiu ao governador como um visionário. Talvez seja um religioso e tenha se referido às aparições de Fátima.

Escrito por Gilson Jorge

julho 15, 2008 em 5:24 pm

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A terceira aparição de Fátima Mendonça

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O Tribunal Superior Eleitoral deveria exigir que os candidatos a cargos públicos eletivos apresentassem os seus cônjuges à sociedade antes do pleito,deixando claro o que é que se pode esperar do casal. No caso dos atuais ocupantes do Palácio de Ondina, por exemplo, é impressionante a capacidade que a primeira-dama tem de abrir a boca para dar opinião sobre política. Ao ler a entrevista que a referida dama deu ao jornal A TARDE a primeira pergunta que me veio à mente foi: quem perguntou alguma coisa a essa mulher? A resposta veio imediata e desoladora: os jornalistas.

Que mania esse povo tem de tratar a mulher de um governador ou de um prefeito como se fosse uma liderança política. Ela foi eleita? Recebeu algum voto? Concorreu a algum cargo? Como cidadã, ela tem o direito de falar o que quiser. O que não dá para entender é a mania que se tem de dar destaque à fala de uma pessoa cujo único atributo é ser casada com o governador do Estado. A mulher do prefeito João Henrique, agora, depois de eleita deputada estadual, tem toda a legitimidade para falar o que quiser e ser levada em consideração. Ela foi votada.

Mas por quê dar tanto espaço na mídia a uma pessoa qualquer que resolveu dar a sua opinião sobre a administração pública? Se Fátima Mendonça acha que o governo do marido Jaques Wagner está muito devagar, tudo bem. Dá para considerar como informação relevante que o governador não está agradando nem em casa. Mas daí a achar que se deve ouvi-la a respeito da administração municipal ou das alianças políticas que se fazem é um desvio sério.

O Governo Wagner não foi eleito para ter uma primeira-dama falante. Foi eleito para resolver a insegurança pública, o caos na saúde, as péssimas condições de ensino na rede pública, a degradação do Centro Histórico, a superlotação das cadeias e outros problemas sociais. Sobre isso, ao que parece, o casal não tem muito a dizer. Foto: Ivan Erick/Agecom

Por que nó te callas?

Escrito por Gilson Jorge

julho 1, 2008 em 2:01 am

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A naturalização da barbárie: rapaz, foi um acidente

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foto: Manu Dias/Agecom

Um casal de amigos aguarda civilizadamente, dentro do carro, até que o sinal abra, às 21 horas, na Avenida Garibaldi, em Salvador. Duas pessoas se preparam para atravessar a faixa de pedestres quando percebem um outro veículo se aproximando em altíssima velocidade, disputando um pega. Os pedestres dão dois passos atrás e observam o Audi pilotado por um jovem idiota chocar-se contra o carro do casal, capotar e destruir-se em um poste. Perda total nos dois veículos e, milagrosamente, nenhuma morte. Familiares dos dois motoristas chegam ao local e, logo depois, ao consenso de que foi um acidente. Para o desespero das vítimas, que apesar de obedecer às leis de trânsito, são colocadas no mesmo patamar de um playboyzinho imbecil que pensa ser piloto de Fórmula 1.

Seja qual for a contravenção cometida por alguém que não tenha folha corrida na polícia, vem a resposta pronta: foi uma fatalidade. Foi um acidente que sete pessoas tenham morrido ao cair da Fonte Nova, mesmo que os laudos feitos por um técnico da Sudesb apontassem para a urgência da interdição do estádio. O presidente do time que mandava seus jogos na Fonte Nova pediu, a direção da Sudesb acatou, o Governo do Estado não viu problemas e as sete pessoas morreram. Ninguém foi punido e o time deve ganhar de presente um estádio novinho da silva.

Mas o cúmulo da naturalização da barbárie talvez seja a implantação de uma unidade de atendimento a queimados na cidade de Cruz das Almas, para os festejos juninos. Somente este ano, 46 pessoas (crianças em sua maioria) ficaram queimadas com os fogos de artifício no Estado da Bahia, segundo dados preliminares. E o que faz o Governo do Estado? Gasta dinheiro na implantação de um centro de atendimento a queimados.

A justificativa do secretário estadual de Saúde, Jorge Solla, é um primor. Ao comentar a construção da unidade, Solla disse que Cruz das Almas é “uma região que tem produção de fogos, tradição de festas juninas e que agora pode receber todos os pacientes do Recôncavo Sul, bem mais próximo do que Salvador”. Ao invés de coibir a exposição de crianças a essa prática bárbara e assassina, o Governo do Estado investe R$ 310 mil para construção de uma unidade de queimados.

O que leva à conclusão de que se não fossem as exigências da Fifa para estádios que querem abrigar jogos de Copa do Mundo, o Governo não interviria na Fonte Nova. Apenas construiria um anexo para atendimento a pessoas com fraturas devido a quedas do anel superior. Resta saber se após a aprovação da lei federal que proíbe o consumo de álcool por motoristas, o Governo do Estado não vai considerar a legislação muito rigorosa e, em lugar de fiscalizar e punir, instale nas estradas baianas estandes de distribuição de Engov.

Escrito por Gilson Jorge

junho 24, 2008 em 11:05 pm

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